sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por Lucy

Premissa interessante
A nova tendência literária tem tido por tema a relação entre anjos_ seres celestiais desprovidos de sentimentos geralmente atribuídos aos seres humanos, tais como: ódio, rancor, luxúria, entre outros_ e humanos, sendo que na maior parte das histórias o envolvimento amoroso é o que prevalece, assim, jovens moças indefesas se veem relacionadas indiretamente com estes seres celestiais que, em sua maioria, são masculinizados quando em realidade acredita-se que anjos não tenham sexo e, muito menos, possam envolver-se amorosamente com alguém. 
Mas é claro que na literatura tudo é possível, assim, o envolvimento amoroso de um anjo com um ser humano serve mais para tonar uma história interessante do que, necessariamente, tratar com desrespeito toda a questão espiritual ou religiosa que envolva estes seres iluminados por Deus. Entretanto, o que dizer quando o amor de um “anjo” esteja estritamente ligado ao amor maternal?
É exatamente a partir do questionamento levantado anteriormente que o livro Anjo Negro de Mallerey Cálgara (Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira – Novo Século Editora, 2011 – 201p.) se centra, não que o protagonista, um nefilins (metade humano, metade anjo) chamado Darian, não se veja apaixonado por seu anjo de guarda, mas o foco da história por si só é interessante já que Darian se vê num terrível dilema: encaminhar dez mil almas para o descanso eterno e propiciar um momento de alívio a alma de sua mãe ou trocar essas mesmas dez mil almas pela salvação de sua mãe, condenada por ter cometido suicídio.
É claro que muitos diriam que mais valeria ficar bem com o “todo poderoso” do que salvar uma alma que, querendo ou não, escolheu seu destino, não é mesmo? 
Entretanto, se pararmos para observar a história, o próprio Lúcifer é muito mais bonzinho do que os anjos da trama, afinal, ele propõe a salvação da alma da mãe do protagonista ao invés de um alívio passageiro proposto pela turma dos anjos do bem. 
A primeira vista pode chocar o fato de que o protagonista deva fazer o que tecnicamente é errado, mas o que ninguém parou para pensar é que nada seria possível sem o livre arbítrio e sem, é claro, o Deus da trama da Cálgara, ser ainda mais sábio por fazer o protagonista tomar uma atitude que elevaria sua alma a um patamar muito superior a de um mero nefilins, afinal de contas a questão do “sacrifício” fica evidente, sendo este mesmo sacrifício permitido pelo fato de o diabo, ironicamente, dar um empurrãozinho no momento chave da trama que, certamente, deixa gancho para uma continuação. 
Contudo, cabe a cada um formar uma opinião a respeito da história escrita por Cálgara que, apesar de ter uma boa premissa e instigar o leitor a querer saber como tudo terminará, infelizmente não contou com o apoio da parte técnica dos organizadores da Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira, uma vez que há sérios erros relacionados à língua portuguesa e que, certamente, deveriam ter sido vistos pelos editores, afinal, uma boa editora deve oferecer, no momento em que se compromete a publicar um livro, todo o aparato necessário para que o leitor, ao ler a história publicada, sinta uma agradável sensação e não um ligeiro incômodo. Fora esse detalhe da revisão gramatical que não passará despercebido aos olhos do mais desatento leitor, o livro de Cálgara é recomendado com toda certeza.

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