sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Por Lilian Sinfrônio

O livro de hoje é de autoria da mineira Mallerey Cálgara, sua primeira publicação, e ela nos indica que não vai parar por aí.

Acredito que a fase de anjos e vampiros esteja perdendo força no cenário literário de forma considerável nos últimos tempos e com prazer digo que tenho estado mais aberta a esse tipo de leitura. Sempre achei que as modinhas tem seu lado favorável, mas também traz uma série de complicações que prefiro me afastar... Enfim, eis que me interessei muito pelo projeto do livro e achei a capa tentadora. Vamos ver o que achei da leitura e da criação da autora?

Darian vive em um período conturbado, na antiga Londres do Século XVII, em que a peste assolava a Europa gerando medo e muitas mortes. Seu pai é um respeitado médico, que não se deixa abater e pensa muito mais nos outros do que em si, sempre buscando auxiliar os que precisam. Eis que um anjo, chamado Bridget, é levada a se apaixonar por ele e acaba gerando um filho, o próprio Darian. Fruto de uma transgressão das leis divinas, ele cresce sem saber da sua origem e sua mãe, após ter como castigo a permanência na forma humana, acaba se suicidando e sendo aprisionada no vale dos suicidas.

Darian, por ser um Neefilin – filho de um anjo com humano – tem passagem livre entre os mundos e por isso é desejado como guerreiro do bem e também do mal. Mas o desejo do seu coração é somente poder resgatar sua mãe do local de sofrimento em que se encontra e ele receberá duas propostas para isso: Resgatar almas para serem salvas e levadas ao céu, e a cada dez mil delas poderá resgatar algumas delas do Umbral – sem ser necessariamente sua mãe. Ou entregar dez mil almas para o inferno em troca do resgate de sua mãe. Com a ajuda de Hadji ele irá aprender a se conhecer, entender os mundos entre o céu e o inferno e decidir até onde é possível ir, em busca de quem se ama.

O livro mescla conceitos religiosos muito difundidos – como a existência de Colônias em que os espíritos passam por um período de tratamento e a reencarnação, por exemplo – com um período histórico muito interessante, a peste negra. Acredito que a proposta do livro tenha sido contar uma estória e passar um conceito em pequeno espaço de tempo, já que tem pouco mais de 200 páginas, mas mesmo assim fiquei sentindo falta de uma contextualização maior dos fatos históricos propostos com a vivência dos personagens. Só nos é indicado o século em que o livro se passa e pouquíssimas características da cidade em questão, me deixando na vontade em imaginar mais sobre o local, sobre o que passou Darian na sua infância e adolescência, sobre o que o pai dele viveu como médico em um tempo tão critico...
A autora tem muita facilidade em mostrar o que pensam e sentem os personagens e mostra que sabe bem onde quer levar a estória que conta, mas sou uma leitora muito apegada aos detalhes para me contentar com poucas descrições. Fiquei sempre achando que o livro poderia ter sido mais: mais explorado, reproduzido, destrinchado...
Toda as decisões esperadas foram tomadas rápido demais e fiquei querendo saber mais de Darian.
Valeu a pena a leitura? Claro que sim, adorei me identificar com as dúvidas e dilemas de Darian, desejar pra mim a perseverança da Hadji e torcer pra que tudo terminasse bem.

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